
Para Vik Muniz, parte de uma obra é feita pelo artista e a outra fica por conta do espectador, que vai misturar suas experiências, pensamentos e memória com o que está exposto.
A mostra dele no MASP colocou a conversa fiada em prática e me fez sair dali cheia de idéias e coisas para refletir sobre. A exposição é democrática, traz temas e materiais capazes de agradar a todos os gostos. Tem macarrão, chocolate, tempo, fotografia, diamante, vivências, mapas, olhares, retratos, nuvens e, principalmente, pessoas.
O artista começou trabalhando com esculturas, das quais sempre tirava fotos para documentação. Eis que descobriu muito mais encanto em produzir a fotografia do que em criar apenas os objetos. Sem a preocupação de ter uma peça eterna, foi fácil perceber que qualquer material rende uma boa imagem.
Entre as obras estão a representação da Vênus de Botticelli em sucata, as divas de Hollywood retratadas a partir de diamantes, a doçura de crianças captada em construções de açúcar, trabalhadores de um aterro sanitário reconstruídos com lixo e a Medusa, de Caravaggio, recriada em um prato de spaghetti. O artista também olha para o público de um auto-retrato que mostra suas esferas e nuances a partir de restos de papel de furadores (acima).
Muniz junta o passado e o presente, embaralhando fotografias famosas e obras primas da história da arte com qualquer coisa que faça parte do nosso dia-a-dia. Mescla referências de vários tempos e lugares, daqui do lado ou de lá de longe. Exibe rostos, gente, coisas e se exibe. Planta dúvidas, e não respostas.








