terça-feira, 23 de junho de 2009

Fragmentos


Para Vik Muniz, parte de uma obra é feita pelo artista e a outra fica por conta do espectador, que vai misturar suas experiências, pensamentos e memória com o que está exposto.

A mostra dele no MASP colocou a conversa fiada em prática e me fez sair dali cheia de idéias e coisas para refletir sobre. A exposição é democrática, traz temas e materiais capazes de agradar a todos os gostos. Tem macarrão, chocolate, tempo, fotografia, diamante, vivências, mapas, olhares, retratos, nuvens e, principalmente, pessoas.

O artista começou trabalhando com esculturas, das quais sempre tirava fotos para documentação. Eis que descobriu muito mais encanto em produzir a fotografia do que em criar apenas os objetos. Sem a preocupação de ter uma peça eterna, foi fácil perceber que qualquer material rende uma boa imagem.

Entre as obras estão a representação da Vênus de Botticelli em sucata, as divas de Hollywood retratadas a partir de diamantes, a doçura de crianças captada em construções de açúcar, trabalhadores de um aterro sanitário reconstruídos com lixo e a Medusa, de Caravaggio, recriada em um prato de spaghetti. O artista também olha para o público de um auto-retrato que mostra suas esferas e nuances a partir de restos de papel de furadores (acima).

Muniz junta o passado e o presente, embaralhando fotografias famosas e obras primas da história da arte com qualquer coisa que faça parte do nosso dia-a-dia. Mescla referências de vários tempos e lugares, daqui do lado ou de lá de longe. Exibe rostos, gente, coisas e se exibe. Planta dúvidas, e não respostas.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rosa, azul e dourado

Sei que estou um pouco atrasada, já que Maria Antonieta, filme de Sofia Coppola sobre a rainha da França mais odiada de todos os tempos, foi lançado em 2006. E eu fico me perguntando: “porque diabos eu demorei tanto para assisti-lo?”.

As cores e os contrastes, a beleza da direção de arte e dos figurinos me arrancou suspiros (literalmente!!). A realeza dourada misturada com a trilha musical atual de indie-rock-eletrônico resultaram em algo que eu nunca imaginei ser possível: um filme de época moderno.

É pop. E aí tenho que admitir que gosto disso. Me fez lembrar um dos meus fotógrafos favoritos, David Lachapelle (veja aqui o site do cara). Além disso, na minha opinião, Kirsten Dunst já fez por merecer sua existência artística.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Culto ao belo


O libanês "Caramelo" é um filme cheio de beleza, leveza e cor. A história é simples e romântica, mas não precisa muito. Afinal, só a tentativa de entender cabeça de mulher já é suficiente para gravar um filme, sempre dá pano para manga.

As belas mulheres libanesas até parecem as mulheres de Almodóvar. As cores quentes e graciosas também. Além disso, sempre vale conhecer um pouco mais das tradições de outro país. Vá, mas sem esperar uma grande trama com um final excepcional. Apenas curta a beleza que lhe é oferecida.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Alegria, alegria


O bordão usado pelo Wilson Simonal mostra bem sua personalidade: despojada, despreocupada e alegre. Confesso que sabia pouco sobre o cantor, mas me apaixonei por sua voz. O documentário “Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei” é, sem sombra de dúvidas, dos melhores do gênero que eu já assisti.

Penso que a maior dificuldade em fazer documentário é estrutura-lo. Este é muito bem montado, tem um ritmo “swingante”, mesmo quando exibe antigas gravações por minutos e sem cortes. Dá vontade de bater palminhas na cadeira do cinema.

Achei interessante como a carreira foi abordada sem exagerar pro sentimentalismo ou vida pessoal. Os filhos, os cantores Max de Castro e Wilson Simoninha, dão seus depoimentos, mas pouco falam sobre a relação com o pai. Os entrevistados, pessoas próximas ao músico, transmitem além de emoção, opiniões diferentes, o que é demais prum documentário, que sempre tende para um lado.

Além de tudo isso, o clímax do filme fica por conta do boicote a Simonal. E assim, é sempre bom discutir – e para isso os entrevistados fizeram seu papel grandiosamente – a imprensa brasileira e o senso comum. É um filme para rir, bater o pezinho no chão e para refletir também. Cinco estrelas!

Pra não esquecer mais


Como se já não fosse bom o suficiente poder ir ao cinema pagando apenas R$ 2,50, sem ingresso de estudante, assisti ontem no Espaço Unibanco ‘Simonal – Ninguém sabe o duro que dei’. O filme dá vontade de rir, chorar, ouvir música e ler 'O Pasquim'. Traz um saudosismo estranho, de coisas que eu não vivi e, bem sinceramente, nem sabia muito bem que tinha acontecido até então.


A história dá um bom pano pra manga. Simonal, filho de emprega doméstica, negro e pobre, torna-se o mais conhecido show man do Brasil. Enquanto a música nacional se preocupava em falar alto contra a ditadura, o cantor só queria hipnotizar a multidão com swing e pilantragem.


Por causa de uma encrenca mal explicada com o próprio contador, o artista debochado acaba ganhando fama de dedo-duro da ditadura e excluído pela imprensa e classe artística. E assim continua até sua morte, em 2000 – sem espaço não só como figura pública, mas vendo também sua música ser condenada a ficar de fora da tão aclamada MPB produzida na época.


Muito mais que uma história comovente, o mérito do filme está em conseguir, em 86 minutos, expor os mais diversos aspectos que compunham o Simonal: o menino pobre, o jovem, o cantor carismático, o orgulho, o descompromisso, o pai preocupado, a frustração, o esforço, a esperança e a fraqueza. Uma mistura e tanto de música, história, imagem e bons depoimentos.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tão entediante quanto o próprio W.


Logo que o letreiro começou a subir a Gi já levantou da cadeira e demonstrou em voz alta a falta de contentamento com o filme. Mesmo assim, acho que vale avisar os coleguinhas do que os aguarda, né!

W. conta a história do 43º Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Eu acredito que o diretor Oliver Stone tenha tentado fugir da narrativa linear fazendo o filme girar em torno das decisões da Guerra no Iraque. Por tanto ele vai e volta no tempo durante todo o filme.

Porém eu não acho que o filme seja de todo mal. Por mais que a maioria saiba da idiotice do ex-presidente, gostei de conhecer mais sobre a vida dele, um garoto texano filhinho de papai. Infelizmente, o final do filme parece interminável quando se trata só da guerra, mas nada que um forte respiro não alivie na saída.

Ah! Nota dez pro protagonista, Josh Brolin!!



sexta-feira, 24 de abril de 2009

Fiel [2]

Sim, sou suspeita. Mas mesmo assim devo dizer aqui que gostei muito, muito. A forma com que os torcedores contam sua paixão, a tristeza do rebaixamento em 2007 e a alegria da ascensão em 2008, são de emocionar.

Bem estruturado, com belas imagens, principalmente as do estádio. Enfim...desses que todo corinthiano tem que ter uma cópia em casa. Eu terei, com certeza.

Meu time é meu orgulho :)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fuma, Che!


Ironicamente sofrendo de asma, o revolucionário interpretado por Benicio Del Toro passa as duas horas do filme "Che - Parte I" fumando charuto e cigarro. Essa lenda, que muitos conheceram melhor após o filme "Diario de Motocicleta", tem outra personalidade neste longa. Se mostra rígido, inteligente e cheio de vontade de mudar o mundo.

Os planos abertos das batalhas mostram a imensidão da revolução Cubana. Os planos fechados nos aproximam do protagonista e dão todo o mérito para a força dos discursos. Entendo que nem todos que forem assistir são apaixonados por essa história, mas a dica é ficar atento nos diálogos, que são brilhantes.

A semelhança até assusta. Tanto Del Toro quanto Demian Bichir (que interpreta o duro e sucinto Fidel) chegam a confundir o espectador. O diretor Steven Soderberghs optou por uma narrativa não linear que mistura três momentos: Che, Fidel e Raul Castro (o lindíssimo Rodrigo Santoro) no México antes de partir, os revolucionários nas batalhas em Cuba e Che nos Estados Unidos.

Enquanto ele visita Nova York, as imagens se confundem com antigas gravações televisivas, o que eu acho um tanto perigoso. O filme é tão real que parece um documentário mas é bom lembrar que é, sim, uma ficção e esta é apenas uma versão de uma história. Por isso é importante ter bom senso e dosar, sempre.

Fiz diversas reflexões, que ficarão para mesas de bar com quem se interessar. Mas a pergunta que fica para mim depois do filme é: quem ainda quer fazer revolução com palavras?
**
"Prefiro enfrentar um soldado do que uma jornalista" - Che no filme

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ninguém vai precisar gritar "Toca Raul"


Saiu a tão querida e esperada programação da Virada Cultural de 2009! Não sei se é bom ou ruim, mas cairá no fim de semana do feriado do dia 1° de maio, das 18h do sábado (02) às 18h do domingo (03). De longe não se compara com o número de atrações da edição de 2008 mas convenhamos que em ano eleitoral vale tudo. Porém, por mais difícil que seja para mim elogiar a prefeitura paulistana, não tem como negar o extremo bom gosto na programação.

Para "comemorar" os 20 anos de morte de Raulzito (sim...vamos celebrar a cirrose!) a Virada terá cinco palcos do Projeto Toca Raul. Músicos como Nasi e Marcelo Nova e bandas como Camisa de Vênus, Velhas Virgens e Nação Zumbi interpretam as canções do maluco beleza.

Também destaco o coletivo Instituto que tocará Tim Maia Racional no palco central da avenida São João com a participação do (meu queridíssimo) BNegão, da Thalma de Freitas e de Carlos Dafé. Em outro palco, no Rio Branco, rola uma homenagem ao Frank Zappa com a banda cover Central Scrutinizer Band e diversos grupos de samba-rock como Clube do Balanço, Trio Mocotó e muitos outros.


Além disso tudo, ainda tem shows do Chico César, Cordel do Fogo, Novos Baianos, Zeca Baleiro, Tom Zé, Maria Rita e, para quem gosta, do Marcelo Camelo (écati! rs). Enfim...a promessa é que amanhã, dia 15, a Prefeitura divulgará a programação com horários e tudo mais. Assim que possível atualizo as notícias sobre a Virada.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Que dupla!

Tarantino e Brad Pitt??
Só eu não sabia disso??
Porque ninguém me contou?!

Enfim..."Inglourious Basterds" contará a história de um grupo de oito soldados judeus americanos que partem para a França com a missão maluca (e suicida) de matar nazistas, lá no berço da cobra! Foi filmado na Alemanha e outros cantos da Europa e terá a primeira exibição no festival de Cannes, que acontece em maio. Pelo que li, o filme tem estréia prevista para 21 de agosto nos States e 23 de outubro aqui.

O traileir (ainda em inglês) já me deu enjôo, mas não fugirei da luta!! Agora um dúvida: para vocês, também será um tanto engraçado ver um filme de Tarantino com esse viés histórico, ou é coisa da minha cabeça? Ao que me recordo, os filmes dele tem cenários bem moderninhos.

Entre outras coisas...ao menos me inspirou para voltar com tudo aqui no Labirinto Cultural! :)